27/10/2020
AÇO

Excesso de capacidade preocupa o setor

O Instituto Aço Brasil (IABr) e outras 19 entidades representativas do setor do aço nas Américas, Europa, Ásia e África, renovaram pedido para que os governos de países produtores de aço aumentem o trabalho no Fórum Global sobre Excesso de Capacidade de Aço (GFSEC), na busca de soluções para esse problema. 

Segundo cálculos recentes do instituo brasileiro, considerando a capacidade de produção da OCDE por país e o consumo de aço equivalente da World Steel Association (worldsteel), o excesso de capacidade de aço no mundo cresceu de 395 milhões para 521 milhões de toneladas. O IABr diz que este excesso agrava as condições no mercado internacional com a escalada protecionista e as práticas predatórias de comércio. As indústrias siderúrgicas em todo o mundo mostram-se preocupadas com o recente aumento no excesso de capacidade de aço em um momento em que a demanda está severamente deprimida pela pandemia de COVID-19, revertendo uma tendência de reduções graduais no excesso de capacidade nos três anos após o GFSEC ter sido estabelecido.

A América Latina -- e o Brasil como o maior mercado da região -- se apresenta ainda como a única área no mundo aberta e desprotegida em relação à ameaça que representa o excesso de capacidade de aço existente no mundo. As associações observaram o estado desigual de recuperação nas condições macroeconômicas e na produção de aço em todo o mundo e estão particularmente preocupadas com o risco de desestabilização potencial dos mercados internacionais de aço. As indústrias de aço elogiam os compromissos assumidos pelos membros do fórum do aço para criar transparência no mercado regional e nas evoluções de capacidade e reveja os aumentos de capacidade com base nos princípios de política acordados e nas recomendações estabelecidas no relatório ministerial de Berlim. No entanto, a escala e a persistência do excesso de capacidade na indústria siderúrgica exigem mais ambição na transparência e no trabalho relacionado a políticas do GFSEC. 

As associações siderúrgicas convocam especificamente os governos participantes do fórum a: Desenvolver disciplinas mais rígidas sobre subsídios industriais e outras medidas de apoio que contribuam para o excesso de capacidade; Manter medidas comerciais eficazes para garantir condições de concorrência equitativas impulsionadas pelas forças do mercado e pelo comércio justo; Aprofundar a análise dos impulsionadores das expansões da capacidade de aço para expor investimentos subsidiados ou não direcionados ao mercado; Fazer uma previsão confiável para a demanda de aço nos mercados onde os investimentos serão feitos; Agregar valor ao trabalho de transparência, desenvolvendo comunicação e informação aberta ao público e comunicar aos líderes do G20 sobre a necessidade de esforços maiores para enfrentar a crescente crise de excesso de capacidade de aço.

As associações de aço também apelam aos governos não-participantes para resumir a participação ativa no trabalho do GFSEC. “Abordar efetivamente a crise global do aço é do interesse de todas as economias, produtores de aço e consumidores de aço em todo o mundo e requer o envolvimento ativo de todas as economias do G20”.