13/07/2015
EVENTOS

Especialistas debatem setor siderúrgico em Congresso

O 26º Congresso Brasileiro do Aço acontece entre os dias 12 e 14 de julho no Transamérica Expo Center em São Paulo. Organizado pelo Instituto Aço Brasil (IABr), o evento corre em paralelo com a Expoaço 2015. 
 
No primeiro painel de debates realizado nesta segunda-feira, questões sobre a indústria mundial do aço com a participação de diversos especialistas internacionais da indústria siderometalúrgica foram debatidas. Com coordenação do Conselheiro do Aço Brasil e CEO da Gerdau, Andre Gerdau Johannpeter, o encontro reuniu o Diretor Geral da Worldsteel Association, Edwin Basson, o consultor Nick Sowar, líder global do setor de metais da Deloitte, Stephen Duck, consultor sênior de matérias primas da CRU, e o Diretor Executivo de ferrosos da Vale, Peter Poppinga.
 
Edwin Basson lembrou que o FMI está reduzindo a previsão de crescimento para o mundo, o que tem gerado pessimismo no setor siderúrgico. Basson lembrou que, desde 2008, existe um excesso de produção de aço no mundo e que o crescimento do consumo na China é negativo. O especialista encerrou sua apresentação de forma otimista sobre a situação específica dos BRICS: “É importante lembrar que à medida que os países aumentam e investem em suas áreas urbanas cresce o consumo per capita do aço. E é isso que vai acontecer em lugares como o Brasil e a China, onde mais de 1 bilhão de pessoas passarão a viver em cidades”, ressaltou.
 
Com destaque para a produção chinesa de aço, o consultor da Deloitte Nick Sowar destacou que o excesso de produção de aço tem afetado a um número cada vez maior de países. Segundo o especialista, a indústria do aço se encontra em desequilíbrio e grande parte da responsabilidade por essa situação é da China que, nos últimos anos, aumentou suas exportações em 60%. “Os chineses negam que deem subsídios às empresas do mercado de aço, mas eles continuam concedendo subsídios às companhias de energia. Um outro ponto importante diz respeito à mão-de-obra, que tem custos mais baixos do que em outros países. Essas são práticas que, definitivamente, contribuem para criar barreiras ao comércio ”, revelou. Já Stephen Duck, da CRU, chamou a atenção para a redução drástica da demanda por aço no mercado interno chinês e para o aumento das exportações pelo país asiático. Para Duck,  a redução dos impostos e dos salários em importantes províncias chinesas são dois fatores que contribuem para a criação de condições desiguais de competitividade em relação a outros produtores do mundo. Apesar disso, ele crê em uma retomada no equilíbrio da indústria mundial e no crescimento da Índia nos próximos anos. 
 
O Diretor Executivo de Ferrosos da Vale, Peter Poppinga comentou que a produção de aço atualmente está lenta e soma 1,6 bilhão de toneladas (com a China). Segundo Poppinga, o mundo passa por uma crise com características diferentes da registrada em 2008. “Naquela época, a crise era de liquidez e a que vivemos atualmente é de demanda, o que, certamente, vai gerar uma demora, um pouco maior, para um ajuste”, explicou. 
 
O evento terá ainda a China como tema em outro painel, com a economista Haiyan Wang, sócia do Instituto China-Índia. A Sustentabilidade também receberá destaque no evento, que reunirá a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, o economista Sergio Besserman e o deputado Carlos Melles, em debate coordenado por Walter de Castro Medeiros, presidente da Thyssenkrupp CSA. Maiores informações sobre o Congresso no site www.acobrasil.org.br/congresso2015.