13/12/2019
BARRAGEM DO FEIJÃO I

Especialistas apontam causas do rompimento

•Um projeto que resultou em um talude íngreme construído a montante; 

•O controle de água dentro da bacia de rejeitos que às vezes permitia que a água do lago de decantação chegasse perto da crista da barragem, resultando no lançamento de rejeitos fracos perto da crista; 

•Um recuo de projeto que empurrou as partes superiores do talude para cima dos rejeitos finos mais fracos; 

•A falta de drenagem interna significativa que resultou em um nível de água persistentemente alto na barragem, principalmente na região do pé da barragem; 

•Alto teor de ferro, resultando em rejeitos pesados com cimentação entre partículas. Esta cimentação gerou rejeitos rígidos que apresentavam comportamento potencialmente muito frágil se submetidos a um gatilho que ensejasse uma resposta não drenada; e 

•Precipitação regional alta e intensa na estação chuvosa, o que pode resultar em perda significativa de sucção, produzindo uma pequena perda de resistência nos materiais não-saturados acima do nível da água. 

Estas, em resumo, foram as causas principais do rompimento da barragem I do Feijão, em Brumadinho segundo o Painel de Especialistas externos que foi contratado pela Vale para averiguar os fatores técnicos que teriam levado ao rompimento. O Painel é formado pelos especialistas internacionais Peter K. Robertson, PhD (que atuou como Chair), Lucas de Melo, PhD, David J. Williams, PhD e G. Ward Wilson, PhD. 

Segundo eles, “o rompimento e o deslizamento de lama resultante decorreram da liquefação estática dos rejeitos dentro da barragem. O histórico descrito acima gerou uma barragem composta principalmente por rejeitos fofos, saturados, pesados, e de comportamento frágil, com altas tensões de cisalhamento no talude a jusante, resultando em uma barragem marginalmente estável (isto é,próximo ao rompimento em condições não drenadas)”.

O Painel concluiu ainda que “a súbita perda de resistência e o rompimento resultante da barragem marginalmente estável foram devidos a uma combinação crítica de deformações específicas internas contínuas devido ao creep e uma redução de resistência devida à perda de sucção na zona não-saturada causada pela precipitação intensa no final do ano 2018. Isso seguiu vários anos de precipitação crescente depois de que o lançamento de rejeitos cessou em julho de 2016. As deformações especificas calculadas pré-rompimento a partir desta combinação de gatilhos correspondem bem às pequenas deformações específicas da barragem detectadas na análise pós-rompimento das imagens de satélite do ano anterior ao rompimento. As deformações específicas internas e a redução de resistência na zona não-saturada alcançaram um nível crítico que resultou no rompimento observado no dia 25 de janeiro de 2019”. Em função de tudo isso, eles concluíram que a barragem rompeu por um processo de “liquefação estática”.

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