19/11/2020
FORUM BRASIL MINERAL

Empresas otimistas com futuro pós-pandemia

As empresas de mineração vêem com otimismo moderado o ambiente de negócios para o setor no período pós-pandemia. Foi o que expressaram dirigentes das companhias premiadas como Empresas do Ano do Setor Mineral, durante o Forum Brasil Mineral, realizado em sequência à cerimônia de premiação, na tarde do dia 18 de novembro, com transmissão ao vivo pela internet.  

Criado há seis anos, quando a Revista Brasil Mineral completou 30 anos de atividades, o Fórum Brasil Mineral debateu, nesta edição, “O Futuro da Mineração no Pós-Pandemia”, dividido em dois blocos. 

O primeiro bloco teve o comando do conselheiro da Brasil Mineral Rolf Fuchs e a participação de André leitão, diretor de Operações Brasil da Votorantim Cimentos, Sandro Magalhães, Vice-Presidente de Operações Brasil & Argentina da JMC Yamana Gold e Luiz Eulálio de Moraes Terra, presidente da Embu S.A e Felipe Guardiano, Vice-Presidente de Gestão, Planejamento e Sustentabilidade da Nexa Resources. 

André Leitão, da Votorantim Cimentos, disse que o primeiro desafio da companhia foi preservar a saúde e integridade das pessoas “Desenvolvemos protocolos rígidos de segurança e preservação da saúde em todas as unidades. Os funcionários da área administrava foram trabalhar remotamente”. Segundo leitão, a Votorantim teve queda de 40% a 50% em abril em suas vendas, mas no segundo semestre houve um crescimento de mercado. “Devemos fechar o ano com recordes de produção de várias fábricas, aumento de participação de mercado e continuaremos a seguir os protocolos de saúde com os oito mil empregados próprios e terceirizados”. Leitão comentou que, no início, a pandemia parecia “coisa de filme”. Em relação às vacinas e uma segunda onda em curso, o executivo da Votorantim Cimentos diz que a doença é uma realidade na Europa, com lockdowns e impactos econômicos. “Esperamos que não seja tão grave aqui, pois no Brasil a COVID é mais heterogênea e depende de como estado a enfrenta”. Para Leitão, a imunização será no primeiro semestre de 2021 e até lá é importante manter a guarda alta. “Não podemos relaxar, pois é aí onde mora o perigo”. A companhia irá manter protocolos de segurança, pois tem que ter condições, e de atender à demanda para ter um ótimo ano em 2021. 

Para Sandro Magalhães, da JMC Yamana Gold, assim como a Votorantim, o foco foi cuidar das pessoas por meio dos protocolos de segurança e comitês de segurança criados para desenvolver ações mais localmente. “Tudo isto foi elaborado de forma organizada e pensada no corporativo em Toronto, Canadá”. Houve também uma preocupação com a saúde mental dos funcionários. A Yamana desenvolveu por meio do RH programas para seus empregados e familiares, além de investir no cuidado das comunidades onde a mineradora atua. 

“Em termos operacionais, elaboramos estratégias e planos para priorizar atividades criticas ligadas à produção e investimentos. No aumento de produtividade superamos várias metas e Jacobina vai bater a meta de produção”. Para Magalhães, o futuro é otimista porque a empresa aprendeu a se reinventar com a COVID-19. “Temos um plano de expansão até 2023. (produção). Mostramos que a mineração é essencial, como o governo havia dito”. Apesar das muitas restrições já adotadas e as que estão por vir por causa de uma segunda onda, a companhia manterá os protocolos e o apoio psicológico aos funcionários. “A maior preocupação para 2021 é o desafio que teremos na cadeia de suprimentos, como cimento. Vamos garimpar mais fornecedores no Brasil e em outro país”. O executivo da Yamana acha que todos se adaptarão e haverá uma troca de experiências mais adiante por causa da pandemia. “As empresas terão que enfrentar isso juntas. O Fracasso é solitário, mas o sucesso, não. Temos que dar as mãos”. 

Na área de agregados, Luiz Eulálio Moraes Terra, da Embu, disse que a empresa tomou um susto com a pandemia, que gerou um panorama de incertezas. Mas, mesmo assim, e com apoio do Governo paulista, o setor de construção e sua cadeia não pararam. “Não demitimos ninguém e usamos afastamento e férias para controlar tudo”. O executivo da Embu disse que houve um crescimento de mais de 20% na segunda metade de 2020, comparável ao biênio 2013/14, os melhores anos da década. “A expectativa para 2021 é de um crescimento de dois dígitos, com a retomada de algumas obras”. A dificuldade maior será com o suprimento de equipamentos, de alguns insumos. Mas o recado é de otimismo, disse Luiz Eulálio. 

Sobre o futuro, ele disse que as mineradoras aprenderam a trabalhar no ambiente da COVID-19 e que a empresa seguirá em 2021 mantendo o mesmo ritmo deste ano (em referência ao trabalho remoto e protocolos de segurança). “À espera da vacina, acho que teremos um bom ano, com juros mais baixos e o setor impulsionado pela habitação e saneamento – o novo marco regulatório deve alavancar projetos de infraestrutura. Vamos trabalhar com os protocolos e a preocupação é com os suprimentos para atualizar equipamentos para sustentar a produção”. 

Representando a Nexa Resources no Fórum Brasil Mineral, Felipe Guardiano considera o ano de 2020 uma aventura e que a maior preocupação foi com as pessoas. “Foram muitas as surpresas no início, com a adoção das máscaras, higienização,etc.” No Peru, onde a companhia também opera, a restrição foi mais severa que no Brasil, pois o governo federal implementou um isolamento mais pesado. “Tivemos que paralisar as operações no Peru e, ao mesmo tempo, aumentamos o nível de relacionamento com as comunidades (em geral, vilas - diferente do Brasil, que as comunidades estão em municípios). Este é o chamado #JeitoNexa”. 

Para Guardiano, o segundo semestre é uma surpresa em comparação à primeira metade do ano. “Aprendemos a trabalhar remotamente e esta atividade pode ser mais ampla, pois protocolos rígidos de saúde serão cada vez mais exigidos”. Em Aripuanã(MT), por exemplo, a Nexa não parou o projeto que desenvolve. “Houve atrasos por causa da pandemia, mas somos benvindos no local. Tivemos que levar profissionais de saúde, melhorar postos de atendimento, hospitais. Temos um olhar positivo de como avançar o IDH em Aripuanã e o relacionamento junto a comunidades”. Em 2021, a COVID-19 ainda estará aqui e a companhia precisa ter senso de urgência. “Aprendemos a operar nossa oferta, mas e a demanda? Como vamos reagir a estes desafios? Os desafios que virão teremos que enfrentar com planos para superar as dificuldades. “Continuaremos a tentar nos superar. Há perigos, mas temos que nos precaver”, concluiu Guardiano. 

O Painel 2 do Fórum Brasil Mineral teve a participação de Manoel Valério de Brito, diretor –presidente e diretor Executivo de Operações da Mineração Caraíba, Paulo Misk, CEO e presidente da Largo Resources/Vanádio de Maracás, Wilfred Bruijn (Bill), CEO da Anglo American Brasil e Camilo de Lelis Farace, vice-presidente da AngloGold Ashanti Brasil. O painel teve o comando do editor-chefe da Brasil Mineral, Francisco Alves. 

Sobre o futuro da Anglo American no Brasil, Bill comentou sobre alcançar a capacidade nominal de 26 milhões de toneladas de minério de ferro no projeto Minas-Rio nos primeiros meses de 2021. “Nos próximos cinco anos realizaremos investimentos adicionais para levar esta capacidade para 30 milhões de toneladas anuais. Temos que ampliar de forma responsável, com segurança”. Já na área de ferro-níquel, há estabilidade, mas queremos ampliar a produtividade com a implantação de dois projetos em um prazo de um ano, um ano e meio. 

Em relação ao Programa Mineração e Desenvolvimento (PMD), Bill tem a percepção que finalmente o setor tem um Ministério de Minas e Energia, e não apenas de Energia. “Sentimos-nos apoiados pelo governo federal nesse sentido, que se preocupa em criar soluções para o desenvolvimento do setor, soluções para garantir segurança jurídica. Foi um gol de placa”. O executivo comenta ainda que o PMD é fundamental para o setor. “A Anglo está em três estados (Rio, Minas e Goiás) e vimos uma mentalidade pró-empresa, geração de empregos e atividade econômica. Em Goiás a importância da mineração para a economia local e estadual é ímpar. Queremos ser um bom vizinho, que traga desenvolvimento sustentável, ambiental e preocupado com recursos hídricos”. 

Manoel Valério, presidente da Mineração Caraíba, disse que a expectativa para este ano é de investimentos acima de US$ 22 milhões, que continuarão nos próximos dois anos. “Temos mais de 130 direitos minerais e precisamos que o governo libere os processos mais rápido para crescermos”. Segundo Manoel Valério, a Caraíba mantém diálogo com a ANM. “Atualmente, os direitos são liberados entre três e quatro anos, mas precisamos de um serviço mais ágil”. 

A companhia tem um plano estratégico de dez anos e uma mina subterrânea que irá atingir 2 mil m de profundidade nos próximos dois ou três anos. “Estamos confiantes em aumentarmos a produção da planta de beneficiamento de dois para quatro milhões de toneladas”. “Tivemos solavancos em relação a fornecedores durante a pandemia, mas conseguimos superar.  Essa questão pode se agravar no futuro e estamos em relação constante com municípios e comunidades”. A Caraíba não teve nenhum caso grave de COVID-19 e a companhia testou quase duas mil pessoas. “Estamos seguros e temos desafios, mas a empresa está bem”. 

Em relação ao PDM, Valério diz que há uma expectativa há tempos sobre a alavancagem da mineração brasileira para o desenvolvimento do setor. “O PDM é mais objetivo, só que ele depende do destravamento dos processos dos governos. É um passivo grande de áreas”. Para o executivo, é necessário digitalizar muita coisa interna para agilizar a liberação de processos. “Conversando com os acionistas canadenses, pode ser que algo avance a partir de agora. Precisa da adequação da estrutura governamental para agilizar um cenário favorável para o setor. Os investidores estão doidos para investir aqui. Eles têm recursos para vir para o Brasil”. 

O CEO da Largo/Vanádio de Maracás, Paulo Misk, comentou que a empresa não se preocupou apenas com os funcionários, mas com as pessoas do município onde atua. Após isto, o executivo disse “voltar a focar nas operações, pois todos estavam bem para trabalhar”. A Largo registrou recorde de produção no terceiro trimestre, de recuperação metálica (com 84% - o que mostra a eficiência de nosso processo, já que a média é de 72%)”. 

“Interrompemos projetos por quatro meses, mas já os retomamos, além de manter a planta de V2O3 - o vanádio de alta pureza. Uma expansão em Maracás foi adiada para 2021, porque demandaria um número grande de pessoas. Estamos com esperança para 2021, continuar crescendo, com o desenvolvimento também de uma planta de titânio”. 

Sobre o PDM, Misk diz que o Governo acertou em considerar a mineração atividade essencial, pois “realizamos um trabalho fantástico em Maracás. Na Bahia, o governo nos deu suporte e nos ajudou a enfrentar a COVID-19 e esperamos crescer 30% este ano”. O Plano é bem amplo e tem políticas a serem seguidas, trabalhadas. Temos que valorizar a mineração por gerar mais empregos, investimentos e riquezas para a economia. A atividade busca conversar com a comunidade, sociedade e o esforço dos governos é bem-vindo, concluiu Misk. 

Camilo Farace, da AngloGold Ashanti, afirma que o preço do ouro foi uma surpresa para todos e a COVID-19 também. “Em determinado momento, o preço do ouro chegou a 2.100 a onça. Quando olhamos para este cenário, temos que ter critério, pois sabemos que o mercado não opera dessa forma”. Ele comentou também sobre a política da empresa sobre os rejeitos e afirmou: “vamos atender às questões ligadas à legislação brasileira e iremos encerrar o ciclo de barragens a montante e adotarmos o modelo 100% em deposição a seco até 2026”.  

Com relação ao PDM, Camilo Farace disse que “é um conjunto de preposições de trabalho e é o que há muito almejamos. O Brasil é o quinto país em tamanho e produz 2,5% de ouro. Temos que ter capacidade para expandir. Atualmente, o Brasil possui três mineradoras com projetos em desenvolvimento - a Kinross Yamana e a AngloGold Ashanti). “O que esperamos é que o PDM possa alavancar a capacidade da mineração no Brasil”. Segundo Farace, a gestão atual da crise com a mineração como essencial fez com que o setor sentisse confiança e um ambiente favorável, tornando a mineração relevante. 

O Forum Brasil Mineral, assim como a cerimônia de premiação, está disponível, na íntegra, no canal da Brasil Mineral no Youtube, em www.empresasdoano.com.br, ou clicando aqui.

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