16/01/2020
FERTILIZANTES

EDEM cresce em fosfato natural

A EDEM Agrominerais (controlada pelo grupo EDEM, de Goiás), planeja crescer no mercado de fertilizantes naturais, onde está sendo positivamente surpreendida pelo em termos de aceitação dos seus produtos. Em 2019, a empresa conseguiu comercializar 63 mil toneladas de fertilizantes fosfatados naturais, superando em muito sua projeção para o período, que era a de comercializar 50 mil toneladas. Tal desempenho animou a EDEM a prosseguir com sua meta de elevar a capacidade de produção no projeto Bodoquena, que hoje está em 100 mil toneladas/ano, para 150 mil toneladas/ano a partir de 2022, evoluindo para 300 mil t/ano em 2024 e podendo chegar a 1 milhão t em 2027.
 
Para a escala atual instalada de produção, a empresa investiu R$ 25 milhões totalmente com recursos próprios. E para 2020 estão programados mais R$ 10 milhões, que serão direcionados a estudos com vistas ao desenvolvimento de novos produtos.  
 
Mas as perspectivas para o projeto Bodoquena são bem mais amplas, de acordo com Luis Vessani, presidente da EDEM, já que apenas em um Trend de minério (denominado Ressaca), existem reservas da ordem de 40 milhões t de minério fosfatado com 14% de P2O5. No projeto Bodoquena como um todo, o potencial das reservas chega a 200 milhões de toneladas. 
 
Ele explica que hoje a empresa coloca no mercado um produto natural com 15% de P2O5 e que é 30% solúvel. Trata-se, portanto, de um produto não tradicional, diferenciado, que está sendo muito bem aceito pelo mercado, tanto que a empresa vendeu mais do que havia inicialmente projetado. Esta receptividade levou a empresa a se colocar como meta para 2020 a comercialização de 100 mil toneladas. 
 
O dirigente salienta que o projeto Bodoquena tem ainda a seu favor o fato de estar dentro da região de consumo, onde a atividade agrícola está crescendo rapidamente. Assim, em termos de logística o projeto está muito bem situado. Como assinala Vessani, atualmente a maior parte das importações de fertilizantes entra pelo porto de Paranaguá (PR), bem distante dos pontos de consumo. Além disso, a EDEM pode facilmente exportar para os mercados da Bolívia e Paraguai, com um grande ganho logístico, já que são países que estão praticamente ao lado da mina. 
 
Outra vantagem do empreendimento é que todo o processamento é a seco, eliminando a necessidade de barragem e praticamente não é gerado rejeito, já que todo o minério pode ser aproveitado. 
 
A empresa também está desenvolvendo estudos com vistas à ampliação do seu leque de produtos. Juntamente com especialistas da Escola Politécnica da USP estão sendo feitos estudos de flotação e concentração, incluindo separação eletrostática, com o objetivo de gerar um fosfato com 30% de P2O5. E ainda analisa o aproveitamento da dolomita existente nos corpos de minério, com teor de 2% a 4% de fósforo para utilização como corretivo fosfatado. 
 
Além do projeto Bodoquena, Vessani informa que a EDEM concluiu a pesquisa em uma jazida de rocha alcalina com teor acima de 10% de K2O, que pode fornecer potássio para rochagem. A jazida está localizada no oeste de Goiás e possui reservas cubadas de 40 milhões de toneladas.“Os resultados dos testes iniciais são ótimos e neste ano devemos começar testes de mercado. Pretendemos instalar uma planta piloto e produzir em torno de 10 mil toneladas  em 2020”, diz Vessani.

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