18/03/2020
AÇO

Consumo na AL cai 5% em 2019

Segundo a Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), o consumo de aço somou 64 milhões de toneladas na região em 2019, uma queda de 5% em relação ao ano anterior. O menor consumo de aço reflete a contração econômica vivida pelas três principais economias (México, Brasil e Argentina), que explicam 87% de redução. Esta situação pode impactar a estabilidade dos 260 mil empregos diretos do setor.

Entre as principais razões para essa situação encontram-se a desaceleração econômica mundial, os menores preços das commodities, as disputas comerciais dos Estados Unidos com seus parceiros, a redução do comércio mundial e as incertezas políticas com seus efeitos sobre investimentos nesses países e em seus vizinhos na América Latina. A Alacero observa uma queda gradual desde 2014, quando o consumo atingiu seu nível mais alto, com 72,1 milhões de toneladas. “Observamos com preocupação esse resultado que deixa mais grave a situação, refletida nos estudos da associação, no que se refere ao processo de desindustrialização que a região vem sofrendo. Atualmente, estamos atualizando este estudo para a América Latina”, comentou Francisco Leal, diretor geral da Alacero.

Germano Mendes de Paula, professor de economia da Universidade Federal de Uberlândia e especialista na indústria siderúrgica, diz: "o desemprego é um efeito do processo gradual que entrou em nossa região desde meados da primeira década do século, o que chamamos de desindustrialização", afirma. Segundo ele, o setor representava 30% do PIB da América Latina em 2000, mas atualmente corresponde apenas a 15%. Segundo o especialista, a retração ou o baixo crescimento afeta mais países emergentes, pois eles ainda precisam importar mais bens de capital que os países industrializados. 

A expectativa inicial para este ano na América Latina é de crescimento de 2,8% no consumo de aço, que deve atingir 66 milhões de toneladas. A projeção é influenciada pelo Brasil, a principal economia da região, que possui perspectivas favoráveis para este ano, pelas reformas econômicas que vêm sendo implementadas. Essa estimativa pode mudar, dependendo dos efeitos econômicos do coronavírus, que já causou volatilidade financeira e econômica, o que se converteu em revisões depreciadas das previsões econômicas realizadas no início do ano.