08/03/2021
PDAC 2021

CEOS e ministro vêm Brasil com otimismo

O setor mineral puxou a recuperação econômica do Brasil em 2020 durante a pandemia. Foi o que afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em discurso gravado apresentado no primeiro dia do programa das “Brazilian Mining Sessions 2021”, que marcam a participação brasileira no PDAC 2021, evento que acontece até 11 de março, em Toronto, Canadá, de forma totalmente virtual, devido à Covid-19. A participação brasileira é coordenada pelo Comitê Organizador do PDAC 2021, liderado pela BCCC e Adimb. 

“O desafio imposto pela pandemia Covid-19 demonstrou que a atividade mineral é um direcionador e contribuinte crítico para as necessidades sociais do País”, disse o ministro, acrescentando que o setor mineral brasileiro está avançando e pronto para uma nova era de crescimento, apesar das repercussões econômicas da pandemia. 

O ministro também afirmou que a marcante performance da indústria mineral brasileira em 2020, com produção de mais de 1 bilhão de toneladas dos diversos minerais e crescimento de 11% nas exportações, são resultado de “uma série de reformas regulatórias levadas a cabo nos últimos dois anos”.

O otimismo do ministro foi seguido pelo CEOs de companhias mineradoras internacionais com atuação no Brasil, que participaram de dois painéis sobre os desafios e oportunidades para se investir no Brasil. Eles elogiaram as reformas e foram praticamente unânimes em afirmar que o Brasil está melhor para investimentos no setor mineral. 

A CEO da Lunding Mining, que no Brasil opera uma mina de cobre e ouro, Marie Inkster, disse que para se investir na mineração brasileira não se trata apenas do potencial para novas descobertas, mas também das leis que garantem as propriedades, o sistema bancário, processos de licenciamento ambiental e arcabouço legal vigente. “O sistema permite que se possa fazer as coisas quando se necessita fazê-las”, salientou. 

Christian Milau, CEO da Equinox Gold, companhia que teve um crescimento impressionante no Brasil recentemente, adquirindo vários ativos, afirmou que existem bem menos problemas relacionados com riscos jurídicos e políticos do que no passado e destacou que os projetos de mineração no Brasil têm como diferencial positivo a disponibilidade de força de trabalho. “É bem fácil se encontrar pessoas capacitadas e bem treinadas em todo o país”, disse ele. 

O CEO da Ero Copper – que controla no Brasil a Mineração Caraíba e a NX Gold -- David Strang, reconheceu o esforço do governo no sentido de melhorar os processos burocráticos e também encontrar soluções para as necessidades apresentadas pelos projetos, o que sempre é uma vantagem no relacionamento entre o governo e os empreendedores. 

Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals – que recentemente foi eleito como uma das Personalidades do Ano do Setor Mineral – disse que as baixas taxas de juros vigentes no Brasil (abaixo de 5%) representam uma oportunidade para atrair o capital privado para investimentos no setor mineral, particularmente por parte de investidores institucionais que estão buscando ações para seus portfólios. 

Mike Mutchler, presidente e CEO da Amarillo Gold, comentou que o processo de licenciamento para novos projetos no Brasil está se tornando mais simplificado, juntando-se várias etapas em uma só. Ele informou que sua empresa está confiante, no momento em que se prepara para iniciar a construção de sua primeira mina de ouro no País. 

Miles Thompson, CEO da Lara Exploration, afirmou que a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM) revigorou o processo regulatório e a descentralização do licenciamento ambiental e permitiu às companhias trabalharem mais próximo dos reguladores, o que gera maior proatividade.  

Por fim, Calvyn Gardner, CEO da Sigma Lithium, reconheceu que o governo brasileiro mudou definitivamente o ambiente de regulação da mineração e isto “é positivo para qualquer novo investimento no País”.