16/09/2020
SGB-CPRM

Ceará ganha novo mapa geológico

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) concluiu o novo mapa geológico do Ceará, com a atualização do conhecimento geológico do estado. A publicação tem dados e informações gerados em dezenas de projetos de cartografia geológica realizados pelo SGB-CPRM, em pesquisas acadêmicas executadas em universidades brasileiras, e nas diversas publicações técnico-científicas produzidas nos mais de 148 mil km² do território do estado. 

Os produtos gerados pelo Projeto Mapa Geológico do Ceará, executado pela equipe da Residência de Fortaleza do SGB-CPRM, que inclui o mapa geológico e o mapa de recursos minerais, ambos apresentados na escala 1:500.000, além do conjunto de bases de dados geológicos relacionadas, estão todos disponíveis para download no GeoSGB e RIGEO. 

http://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/21482

“Os mapas apresentam informações importantes sobre as ocorrências minerais e associações de rochas que aos olhos dos geólogos e prospectores indicam as áreas mais potencias para determinadas mineralizações, que poderão ser investigadas pelo setor mineral com maior grau de detalhe”, explica o geólogo e pesquisador do SGB-CPRM, Tercyo Rinaldo Gonçalves Pinéo. Os mapas também têm grande relevância para gestores públicos nas decisões sobre a construção de grandes obras públicas ou obras de engenharia de médio porte. “O método a ser empregado em uma obra para prospecção de água subterrânea, por exemplo, como a construção de uma barragem, é definido de acordo com o tipo de rocha existente no local. Se o Estado possui um mapa com esses dados disponíveis e de forma acessível, isso implica em redução de custos públicos e do setor privado em projetos de engenharia e em pesquisa de recursos hídricos”, relata Tercyo. 

O Ceará possui mais de 900 ocorrências de recursos minerais, especialmente para rochas ornamentais, magnesita e também materiais para o setor de construção civil, como areia, argila e brita. Com relação aos metais, foram registradas mais de 200 ocorrências de ouro, platinoides, ferro, chumbo, cobre e cromo. Em menor proporção, foram cadastradas ocorrências de gemas de ametistas, berilo e turmalina, além de urânio. “Dentre as substâncias minerais que há no estado do Ceará, destacamos o setor de rochas ornamentais, sendo o terceiro maior exportador do país. Destaca-se também as mineralizações auríferas e elementos do grupo da platina na região do município de Pedra Branca e minerais estratégicos como fosfato-urânio da jazida de Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, sendo o fosfato matéria-prima para a produção de fertilizantes, insumo de extrema importância para a agricultura nacional”, comentou Tercyo. 

Além dos dados de recursos minerais, o mapa geológico do Ceará exibe 61 unidades litoestratigráficas e um conjunto de estruturas geológicas que permitem a visualização dos padrões estruturais regionais no estado. Neste projeto foram realizadas duas etapas de campo, com a descrição de 260 novos afloramentos. O mapa apresenta ainda 207 pontos de informações geocronológicas, compilados de teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos publicados em revistas nacionais e internacionais e de projetos de cartografia geológica realizados pelo SGB-CPRM. “Para a academia, universidades e institutos de pesquisa geológica, o principal benefício do produto em questão é o de constituir uma base geológica atualizada, que poderá ser utilizada no estudo e entendimento da evolução geológica de grandes massas continentais que existiram no passado”, avaliou Tercyo. 

Entre os benefícios dos produtos do mapa geólogico estão a informação pública de qualidade, visando gerar o desenvolvimento econômico e social ao país; Base de dados para o planejamento e execução de obras de engenharia e de recursos hídricos (construção de rodovias, de canais de integração hídrica, de barragens hídricas e outros) por gestores públicos municipais e estaduais do estado do Ceará e empresários do setor privado; Os mapas podem ser utilizados no planejamento do uso e ocupação do solo (urbano e rural); Fornecem suporte de dados geológicos a projetos de pesquisa científica na área das geociências, nas instituições de ensino de nível superior e técnico; Estimulam empresas de mineração a investir no estado do Ceará (ex. setor de rochas ornamentais), o que movimenta toda uma cadeia econômica, inclusive de escala mundial, resultando na geração de empregos diretos e indiretos e na arrecadação de impostos e apresentam de forma integrada e eficiente dados geológicos, geocronológicos, estruturais e de recursos minerais, dando suporte nos estágios iniciais da pesquisa, principalmente na seleção de áreas para adensar investigação geológica do setor de mineração.

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