24/06/2020
ALUMÍNIO

Brasil perde 1 milhão t de capacidade

O Brasil, que a partir da década de 1980 registrou um forte crescimento na produção de alumínio primário, chegando a uma capacidade instalada de 1,750 milhão t, viu sua produção ser reduzida a partir dos anos 2.000 e atualmente produz apenas 750 mil toneladas, apesar de ser um grande exportador de bauxita e alumina, que são as matérias primas para produção do metal. Vários smelters (usinas onde se produz o alumínio primário) foram fechados e hoje apenas duas unidades continuam operando: a da CBA, em Alumínio (SP) e a da Hydro em Barcarena (SP). 

Como o consumo brasileiro de alumínio (incluindo todos os produtos) está na faixa de 1,5 milhão de toneladas, uma parte desse consumo passou a ser atendido com importações, tanto de alumínio primário quanto semi-transformados e até de produtos finais, principalmente oriundos da China. Em 2019, o País importou 250 mil toneladas de alumínio primário, equivalente a um terço da produção doméstica. 

O que levou a tal situação? De acordo com o presidente-executivo da Abal (Associação Brasileira do Alumínio), Milton Rêgo, o fator determinante foi a mudança no preço relativo da energia elétrica para o setor industrial no Brasil, desde meados dos anos 2.000 até 2017, sendo que “a pior época foi no governo Dilma, quando se aprovou a Medida Provisória 579, em 2012, em que o governo tentava diminuir o preço da energia para os domicílios. Com isso, de maneira indireta, o governo fez com que o setor industrial subsidiasse o setor residencial”. 

Para tentar restringir a importação de produtos chineses, sobretudos de semi-transformados (extrudados, perfis, chapas e folhas) e produtos finais de alumínio, a Abal – que em março de 2020 completou 50 anos – tem procurado atuar no sentido de tentar estabelecer medidas anti-dumping e anti-subsídio, ferramentas que são aceitas pela OMC (Organização Mundial do Comércio) e também na parte de certificação de produtos, já que os produtos chineses normalmente não atendem a certificações. Uma outra frente em que a entidade está trabalhando nesse sentido é o monitoramento das importações, como fazem outros países. 

Em entrevista exclusiva concedida à Brasil Mineral, Milton Rêgo fala ainda sobre as razões que explicam por que o alumínio hoje é percebido favoravelmente pela sociedade, como a indústria tem trabalhado a questão da sustentabilidade e as possibilidades do Brasil voltar a ser autossuficiente na produção de alumínio primário. A íntegra da entrevista será publicada na edição 400 da revista Brasil Mineral, que estará disponível nos primeiros dias de julho.

Veja também