11/08/2020
LOGÍSTICA

Bahia reclama de processo da FIOL

O estaleiro Enseada em Maragogipe (BA) iniciou, em 1 de agosto, sua primeira operação de carregamento de minério de ferro para exportação. Ao todo, foram necessárias quase mil viagens de 450 km cada, para transportar as 44 mil toneladas de minério da empresa Brazil Iron do município baiano de Piatã até o estaleiro em Maragogipe. Somadas, as viagens seriam o suficiente para dar 11 voltas no planeta Terra.

O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm, disse que essa quantidade de viagens poderiam ser evitadas, caso o Tribunal de Contas da União (TCU) não estivesse impedindo a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste (FIOL). "Já se vão dez anos que a Bahia clama por essa ferrovia e o processo segue parado no TCU. Transportar de caminhão é caro, demorado, desgasta as estradas e polui muito mais do que se fosse transportado por trem. Tudo isso poderia ser evitado se a FIOL estivesse pronta.", afirma Tramm.

As obras do trecho I do FIOL até Ilhéus estão 80% concluídas. O restante do projeto depende do parecer do ministro do TCU, Aroldo Cedraz. Interessados diretos no início da operação na ferrovia, como a CBPM, o vice-governador João Leão e as federações baianas das Indústrias, da Agricultura e do Comércio têm cobrado insistentemente uma posição do ministro, mas até agora sem sucesso.

Recentemente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse que o projeto da FIOL depende somente da liberação do TCU para fazer a licitação para conclusão do trecho I. O ministro considera a obra prioritária, pois já conta com investidores interessados e carga garantida. A capacidade de carga estimada para o trecho I da FIOL é de 60 milhões de toneladas anuais. Só a Bamin-Bahia Mineração, que possui uma mina pronta para operação em Caetité, pretende transportar 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, um terço da capacidade da ferrovia.

Com o atraso na liberação das obras na FIOL, a Bamin vai começar uma operação de teste para escoar minérios pelo porto de Maragogipe, da mesma forma que a Brazil Iron. Os caminhões da empresa devem transportar 800 mil toneladas de minério de ferro por ano, saindo de sua mina em Caetité. Sem FIOL, o trajeto equivale a 220 voltas no planeta.

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