26/02/2020
BARRAGENS

ANM vê anomalias em quatro estruturas

A Agência Nacional de Mineração (ANM) constatou em inspeção realizada recentemente novas anomalias em quatro barragens da Vale - Forquilhas I e III, entre Ouro Preto e Itabirito, Sul Superior, em Barão de Cocais, e B3/B4, em Macacos. Segundo o órgão regulador, todas estas barragens estão com rompimento iminente. Além das falhas, as chuvas que atingem Minas Gerais desde janeiro aumentam ainda mais o risco de colapso das estruturas. 

O gerente de segurança de barragens da ANM, Luiz Paniago, disse que as barragens estão há um ano sem monitoramento e manutenção presenciais, o que ocasionou a piora progressiva das estruturas. "Se o empreendedor e as consultorias não puderem atuar diretamente nas barragens, elas fatalmente se romperão", disse. "A Vale não desenvolveu suficientemente planos de segurança de atuação em cenários de risco e vem alegando que não vai colocar nenhum trabalhador para atuar presencialmente no local porque não há segurança, mas o que vemos é que é necessária essa atuação porque se a chuva continuar, as barragens vão romper", alerta o procurador federal da AGU Marcelo Kokke, que representa a ANM. 

Em reunião entre representantes da ANM e dos ministérios públicos Federal, Estadual e do Trabalho e do advogado-geral da União, Gustavo Correa, ficou definida decisão judicial para que a Vale elabore um plano em conjunto com os MPs e a Advocacia-Geral da União (AGU), que representa a ANM. As autoridades forneceram como exemplo o caso das barragens do Sistema Pontal, em Itabira, na região Central de Minas. "O que a Vale deve fazer é garantir segurança planejada nas operações de controle e manutenção. Isso é necessário porque em períodos de muita chuva há elevação de riscos, principalmente em barragens de nível 3. O cenário de material de rejeitos das barragens equivale ao que foi despejado em Fundão [Mariana, 60 milhões de m³]", explica Kokke.

A Vale comunicou que aumenta o número de inspeções de campo em períodos de chuva e reforça equipes de prontidão para eventuais situações de emergência. Entretanto, alega que não houve alteração nos dados técnicos das barragens Forquilhas I e III, Sul Superior e B3/B4 ao longo dos últimos meses e que as últimas inspeções não detectaram anomalias”. Em nota, a Vale informou que todas as barragens em Minas Gerais são monitoradas por instrumentos (piezômetros manuais e automatizados, radares e estações robóticas, câmeras de vídeo) e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico.

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