16/06/2020
BENS DE CAPITAL

91% das empresas ativas em junho

A segunda edição da sondagem ‘Impacto da pandemia da COVID-19’ realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entre os dias 28 de abril e 15 de maio, junto aos seus associados, reuniu informações sobre status da carteira de pedidos, atividade produtiva e faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, além das relacionadas às fontes de recursos utilizadas para fazer frente à crise, impacto sobre a sua estrutura de mão-de-obra e ações para mitigar a crise. 

O levantamento apontou que 43,6% das empresas estão com atividades paralisadas. Entre os principais motivos estão interrupção por iniciativa própria (28,5%) e suspensão das atividades por força da lei (15%). Dentre aquelas que estão operando, a maior parte informou trabalhar com estrutura produtiva reduzida (34,7%) e apenas 21,8% das fabricantes disseram estar trabalhando normalmente. “Observa-se que parte importante das empresas submetida às restrições impostas pelas autoridades (33,8% na primeira sondagem) já teve sua atividade normalizada durante o mês de abril”, diz José Velloso, presidente executivo da Abimaq.

Nos próximos 60 dias, se mantido o atual cenário, 76,9% das empresas manterão suas atividades e 14,3% aumentarão. “Isso significa que 91,2 % das empresas pretendem estar em atividade nos meses de maio e junho”, destaca presidente executivo da Abimaq. O levantamento indica que a falta de carteira de pedidos ou sua redução impactou negativamente em 33,1% as empresas de máquinas e equipamentos. Mas os impactos no encolhimento da atividade vieram também da restrição de mão-de-obra (27,7%) e do desabastecimento de insumos e componentes utilizados no processo produtivo (17,8%). “É necessário ficar atento a esses desequilíbrios de mercado, pois o setor de máquinas e equipamentos está presente nas cadeias mais essenciais do País. Na cadeia de alimentos, por exemplo, este segmento oferece as mais altas tecnologias de irrigação, plantio, colheita, armazenamento de grãos, processamento e embalagem de alimentos e bebidas. É preciso, portanto, garantir que todos os elos estejam rígidos para que o País não sofra com qualquer tipo de desabastecimento”, alerta Velloso.

O estudo aponta que 60% das companhias fabricantes de máquinas e equipamentos registraram queda de 17,1% no seu faturamento em abril de 2020. Para maio, junho e julho, 26% de empresas ainda esperam queda no faturamento. A projeção é que em junho haja um crescimento de 1,3%, seguido por uma alta de 5,1% para julho. “Este cenário vem se refletindo em adiamento e cancelamento de projetos de investimento, o que impactará no faturamento das empresas de máquinas e equipamentos ao longo deste ano”, relata Velloso. 

Entre as empresas, 45,2 % disseram que precisam de capital de giro para cumprir suas obrigações com fornecedores, governo, salários e bancos. Mas, apenas 15% fizeram uso de capital de giro adquirido no mercado bancário durante o mês de abril, contra 8% em março. Já as 25,4% das indústrias que procuraram e não conseguiram o acesso ao crédito, alegaram motivos como: linhas de financiamentos estavam com taxas de juros elevadas (31,8%), excesso de exigência de garantias (26,1%), excesso de burocracia (18,2%) e exigência de CND (13,6%). “Destaca-se, no entanto, que durante o mês de maio, e, portanto, após a consulta realizada com as fabricantes, a questão relacionada à Certidão Negativa de Débito (CND) foi equacionada com a deliberação da suspensão da exigência de CND previdenciária e de tributos federais, estaduais e municipais, que ficará em vigor até o dia 30 de setembro de 2020”, esclarece Velloso.

A carteira de pedidos da indústria de máquinas e equipamentos recuou 8,0% em abril, contra 5,5% em março. Para 28% das empresas houve adiamento dos projetos unilateralmente por parte do cliente, que resultou numa redução de 17% da carteira destas empresas. Para 22,3% houve cancelamento de pedidos e neste caso o corte foi de 9,4% da carteira. “Nosso setor, atende às diversas atividades da economia e com isso os impactos da pandemia vêm ocorrendo de forma bastante irregular. Os segmentos que atendem à indústria de bens de consumo não durável estão com bom desempenho, assim como os que atendente à agropecuária, mas os que atuam com a indústria de transformação e especificamente com a indústria automobilística tem enfrentado uma desaceleração importante. Este quadro exige um olhar atento para todas as direções para que nenhuma atividade fique desassistida”, completa Velloso.

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