19/06/2018
DIRIGENTES

Setor mineral perde Eliezer Batista

O setor mineral perdeu, na noite do dia 18 de junho, o engenheiro Eliezer Batista, que teve papel preponderante na estratégia de crescimento e consolidação da Vale, empresa na qual exerceu o cargo de presidente em duas ocasiões (de 1961 a 1964 e de 1979 a 1986).

Eliezer Batista da Silva nasceu no dia 04 de maio de 1924, em Nova Era (MG), filho de José Batista da Silva e de Maria da Natividade Pereira.

Diplomou-se pela Escola de Engenharia da Universidade do Paraná, em 1948. No ano seguinte, passou a trabalhar na Companhia Vale do Rio Doce, onde ocupou vários cargos, sendo nomeado presidente em 1961.

Encontrava-se no cargo de presidente da companhia quando, em 1962, durante o governo de João Goulart (1961-1964), foi nomeado ministro das Minas e Energia do Gabinete Hermes Lima (1962-1963), tendo permanecido no cargo até junho de 1963, quando foi substituído por Oliveira Brito. Durante sua gestão, participou das discussões e negociações relativas à compra das subsidiárias do grupo American and Foreign Power Company (Amforp) e da International Telephone and Telegraph (ITT), que geraram forte oposição dos grupos nacionalistas mais radicais e acabaram levando à criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o assunto e à suspensão da compra das concessionárias de serviço público até então em andamento.

Como ministro, foi também presidente do Conselho Nacional de Minas e Energia e da Comissão de Exportação de Materiais Estratégicos. Com a deposição de Goulart pelo golpe militar de março de 1964, foi afastado da presidência da Vale.

Entre 1964 e 1968 foi diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas S.A. (Rio de Janeiro) e, logo em seguida, vice-presidente da Itabira International Company (Nova Iorque). Ainda em 1968, assumiu a diretoria da Itabira Eisenerz GMPH, em Dusseldorf (Alemanha Ocidental), posto no qual permaneceu até 1974, quando foram encerradas as atividades da empresa. Com a fundação da Rio Doce Internacional S.A., subsidiária da Vale em Bruxelas, foi designado seu presidente. Retornou à presidência da Companhia Vale do Rio Doce em 1979, permanecendo neste cargo até 1986, quando retorna à Rio Doce Internacional. Durante o período em que esteve pela segunda vez na presidência da Vale, desenvolveu o Projeto Ferro Carajás, que representou a primeira iniciativa de exploração das riquezas da província mineral dos Carajás, abrangendo áreas do Pará até o Xingú, Goiás e Maranhão.

Em 1990, recusou o convite para integrar a equipe ministerial de Fernando Collor de Mello (1990 -1992). Em 1992, contudo, assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), buscando direcionar a atuação da Secretaria para problemas ligados ao desenvolvimento econômico do país, especialmente a crise do setor elétrico. Deixou o cargo ainda em 1992, quando teve início o processo de impeachment do presidente.

Foi um dos fundadores, em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentado (CEBDS). Ainda esse ano, deixou a Rio Doce Internacional e assumiu uma cadeira no Conselho Coordenador de Ações Federais do Rio de Janeiro, da Federação das Indústrias do estado (Firjan). No segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (1998-2002), tornou-se membro do Conselho Coordenador das Ações Federais no Rio de Janeiro, órgão ligado à presidência da República.

Em dezembro de 2016 Eliezer Batista foi homenageado pela Vale, que deu seu nome ao maior empreendimento da empresa na área de minério de ferro, o Complexo S11D Eliezer Batista, na região de Carajás, Pará.

Único brasileiro a receber o título de honoris causa da Academia Russa de Ciências, foi ainda professor catedrático na Escola Politécnica do Espírito Santo.

Ele era casado com Juta Fuhrken, com quem teve sete filhos, dentre os quais destacou-se Eike Batista, que lançou vários empreendimentos na área de mineração.

Veja a entrevista concedida por Eliezer Batista à Brasil Mineral, por ocasião da comemoração dos 65 anos da Vale, clicando aqui.