04/04/2019
TERRAS RARAS

Parisita-(La) é descoberto no Brasil

Foi publicado na revista científica Mineralogical Magazine -, editada pela Cambridge University Press, no Reino Unido, a descoberta de um novo mineral no Brasil, designado parisita-(La) (CaLa2(CO3)3F2). O artigo que valida à descoberta desse novo mineral, um fluorcarbonato encontrado no Brasil e que contém em sua composição os elementos "terras raras" (neste caso lantânio predominantemente), cujas aplicações vão desde a fabricação de componentes dos "smartphones" até o processo de refino de petróleo para a produção de gasolina. 
 
O estudo, que durou quase dez anos, foi financiado pela FAPESP, CNPq e FINEP, e é uma parceria entre pesquisadores de universidades de três países: Brasil (Instituto de Física de São Carlos/USP, Instituto de Geociências/USP, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Estados Unidos (University of Arizona); e Rússia (Russian Academy of Sciences, Moscow State University). O Dr. Marcelo Barbosa de Andrade, pesquisador do IFSC/USP e simultaneamente Pesquisador Associado da Universidade do Arizona, é um dos membros que integram o citado grupo de pesquisa e salienta que antes de se avaliar o valor econômico de um mineral é importante investigar as rochas onde ele se localiza, sua composição química, estrutura cristalina e, consequentemente, suas propriedades físicas e químicas. Segundo Andrade, essas informações são fundamentais para as escolhas de extração e beneficiamento que serão utilizadas pelas empresas do setor de mineração. 
 
O "parisita" surge inicialmente em Muzo, Colômbia, também conhecida por "Terra das Esmeraldas". Já no Século XIX, foi exatamente em uma das minas de Muzo que o mineral "parisita" foi encontrado pela primeira vez. O nome "parisita" foi dado em homenagem à J.J. Paris, responsável por uma mina de esmeraldas localizada na região de Muzo, tendo o mineral sido descrito em 1845, pelo professor Bunsen. "A espécie mineral encontrada na Colômbia hoje é oficialmente aceita pela Associação Mineralógica Internacional como sendo parisita-(Ce). Este mineral difere da espécie brasileira por ter Ce como o elemento terra-rara predominante. Somente em 1953, Donnay publicou os primeiros estudos por difração de raios X da estrutura cristalina da "parisita" na revista American Mineralogist. Os cristais são piramidais".
 
A aprovação de um novo mineral requer a elaboração de uma proposta que deve ser submetida à Associação Mineralógica Internacional (IMA) e aprovada por 2/3 dos membros da Comissão de Novos Minerais, Nomenclatura e Classificação (CNMNC). 
 
Para ser aprovado, o mineral precisa de descrição da ocorrência, composição química, dados cristalográficos, espectro característico e propriedades físicas Daí que o reconhecimento oficial da parisita-(La) seja extremamente importante para o Brasil,que possui reduzido número de minerais nacionais aprovados, 74, oficialmente pela Associação Mineralógica Internacional e precisa explorar novas fronteiras de ocorrências de minerais terras raras. 

Veja também

12/06/2019
TERRAS RARAS | Serra Verde obtém LI para Minaçu
05/07/2018
TERRAS RARAS | Nova equipe assume na Serra Verde
25/04/2018
TERRAS RARAS | Ilha no Japão pode mudar o jogo
15/02/2018
TERRAS RARAS | UMC terá complexo no Alasca
19/01/2018
TERRAS RARAS | Superímã aproxima Brasil e Alemanha
11/10/2017
TERRAS RARAS | IV Seminário acontece em São Paulo
21/09/2017
TERRAS RARAS | Brasil terá laboratório-fábrica em 2018
05/01/2017
TERRAS RARAS | Embrapii e CBMM investem em nova etapa