CEO's da Vale e BHP Billiton

11/11/2015
ROMPIMENTO BARRAGENS

Para MMA, acidente foi “catástrofe ambiental”

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, vai vistoriar os locais atingidos pelo rompimento das duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco. Ela classificou o ocorrido como “catástrofe ambiental” e não descartou a possibilidade de punição da empresa pelos danos à biodiversidade, durante a 120ª. Reunião Ordinária do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), realizada em Brasília.

De acordo com relatório do Ibama, cerca de 50 milhões de metros cúbicos de lama foram liberados no ecossistema.  Izabella Teixeira lembrou que “a responsabilidade ambiental é da empresa empreendedora” e que os governos federal e estadual estão estudando a base legal para tomar as providências cabíveis.

Isabella Teixeira disse ainda que a avaliação sobre os impactos ambientais só poderá ser feita após a estabilidade da lama e a liberação da Defesa Civil. “Essa avaliação exige pesquisa de campo. Tão logo a Defesa Civil autorize, será feita”, destacou ela. “O momento agora é de apoiarmos a população e mitigamos os efeitos do acidente para assegurar o abastecimento de água para a população local”.

A ministra lembrou que a segurança das barragens de rejeitos minerais é competência do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e o licenciamento e controle do ponto de vista ambiental de responsabilidade do Estado. ‘Minas tem bom sistema de licenciamento, temos que analisar o que ficou estabelecido e o que foi cumprido”, disse

Ela salientou que, além da mitigação e redução dos impactos da catástrofe mineira, “é preciso pensar no futuro, pois ainda há setecentas barragens de rejeitos em atividade.”

Vale e BHP prometem fundo de emergência

Murilo Ferreira e Andrew Mackenzie, CEO’s da Vale e da BHP Billiton, respectivamente, em conjunto com Peter Poppinga, Diretor-executivo de Ferrosos da Vale, e Jimmy Wilson, Presidente de Minério de Ferro da BHP Billiton, estiveram visitando o local da mina da Samarco com o Diretor-presidente da empresa, Ricardo Vescovi, e líderes comunitários da região.

Os executivos explicaram, em nota, que o objetivo da visita foi entender a extensão das conseqüências do rompimento das barragens e como as duas mineradoras podem ajudar. A visita incluiu o Complexo das barragens, a barragem rompida do Fundão e de Santarém, e a barragem de Germano, que está sendo monitorada de perto pela Samarco.

Os CEO’s afirmam que encontraram equipes de emergência da Samarco e autoridades civis que têm trabalhado para retirar os moradores do local e na busca por desaparecidos.

No comunicado, as duas empresas dizem estar afetadas pela devastação em Bento Rodrigues e nos arredores. Como uma ação imediata, a Vale e a BHP Billiton se comprometem a apoiar a Samarco a criar um fundo de emergência para trabalhos de reconstrução e para ajudar as famílias e comunidades afetadas. A intenção, afirmam, é  trabalhar com as autoridades para fazer este fundo funcionar o mais breve possível.

As duas empresas mantêm no momento especialistas em saúde, segurança, meio ambiente e geotecnia apoiando as ações da Samarco no local, além de debater apoios adicionais. Eles informam que as investigações estão em andamento e que a Samarco atualizará constantemente as informações sobre os esforços de resposta e as operações no local.

Suporte a desabrigados em Mariana

Como acionista da Samarco ao lado da BHP Billiton, a Vale informa que está atuando de forma a garantir a integridade das pessoas afetadas pelo acidente ocorrido nas barragens de rejeitos de Fundão e Santarém, em Mariana (MG). A mineradora já disponibilizou equipe e materiais para auxiliar a Samarco nos trabalhos de resgate e remoção dos locais de riscos dos desabrigados pelo acidente. Cerca de 100 empregados estão diretamente envolvidos nas ações. As equipes atuam na arrecadação de materiais necessários para os primeiros atendimentos aos desabrigados, além do cadastramento e da identificação de alojamentos na região. Já foram acolhidas 631 pessoas na região. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais e empregados estão dedicados 24 horas no atendimento às vítimas. O Centro de Saúde da Mina de Alegria, que pertence à Vale e fica próximo ao local do acidente, também está disponível em tempo integral.

A Samarco recebeu ajuda também com helicópteros e 30 mil litros de combustível aeronáutico, utilizados nas ações de resgate às vítimas nos distritos impactados, assim como três carros e duas ambulâncias. Um heliponto na Mina de Alegria foi liberado para as equipes de resgate. Seis especialistas em trekking da Vale também estão ajudando nas ações, assim como técnicos de prevenção e controle de perdas. Cinco caminhões fora de estrada (utilizados nas operações de mina), uma pá carregadeira e um trator estão fazendo o trabalho de enrocamento do dique da barragem, que se rompeu. Um técnico da Vale, especialista em barragens, além de outros dois engenheiros geotécnicos, estão em tempo integral na Samarco à disposição da empresa. "Evidentemente, jamais poderemos voltar ao passado e recuperar as vidas perdidas neste triste episódio, mas não vamos medir esforços para ajudar a reconstruir a história de cada uma das pessoas afetadas, assim como recuperar o meio ambiente. Para nós, da Vale, 'a vida em primeiro lugar' é um valor primordial", afirma o Diretor-presidente Murilo Ferreira, que esteve em Mariana nas primeiras horas de sábado, dando todo o apoio à Samarco e às equipes da Vale envolvidas nas ações.

Nos primeiros dias do acidente, a Vale responsabilizou-se pelo fornecimento de água mineral para a "Arena Mariana", local onde inicialmente os desabrigados foram acolhidos antes de serem acomodados em hotéis na cidade. A mineradora montou no município de Acaiaca – a 5 km de Barra Longa - um sistema de captação de água, com bomba, gerador e tubulação dedicados para alimentar dois caminhões-pipa. Eles realizam, ininterruptamente, o transporte de água para a limpeza daquela localidade. Também em Barra Longa, foi montada uma captação de água para atender aos moradores.